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Moderna para sempre

 

Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú. Mostra Exposição

 

Exposição Moderna para Sempre no Itaú Cultural. São Paulo.

Fazia um tempo que eu havia criado este subdomínio em formato de blog dentro do meu site destinado à posts sobre fotografia, na verdade foi um pretexto para eu me debruçar mais à leituras e me dedicar mais à parte teórica das fotos. Fato é que nós lemos imagens all the time, mas não paramos para pensar nelas o tempo todo, muitas vezes nem pensamos, só ingerimos. Criei o blog para não deixar o lado pensar fotografia morrer, não que eu me considere uma pensadora, mas desde que eu me formei na pós-graduação estou deixando este meu lado teórico cada vez mais distante e não quero que ele se vá. Acho que com o blog eu me estimulo a ler, escrever, estudar e pensar a tão querida fotografia.

Desde de criei esta parte de blog dentro meu site, quando eu fiz um curso da Georgia Quintas, fiquei ensaiando para fazer o primeiro post porque queria que ele fosse especial afinal seria o primeiro, então ficava pensando e não postava nada. Mas hoje eu fui na exposição Moderna para sempre no Itaú Cultural e senti que seria o tema do primeiro texto. Quem me conhece sabe sou completamente apaixonada pelos fotógrafos modernistas e quem já viu minhas fotos percebe que são uma grande fonte de inspiração, não teria um tema melhor para estrear.

A mostra Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú é de curadoria do Iatã Cannabrava reúne obras, realizadas entre os anos de 1940 e 1970, de grandes fotógrafos como Geraldo de Barros, German Lorca, José Oiticica Filho, Thomaz Karkas, José Yalenti, Marcel Giró, Ademar Manarini e Paulo Pires. A exposição existe desde de 2010 e já passou por algumas cidades brasileiras, Assunção no Paraguai e Cidade do México.

Os modernistas apresentam uma nova leitura estética, com caráter questionador, chegam rompendo com a fotografia tradicional e aumentam suas possibilidades. Utilizando de técnicas como recortes ou desenhos em negativos, solarização, múltiplas exposições, busca realidades alternativas. A fotografia que carregava o espírito de cópia fiel do real era pensada por Geraldo de Barros como uma “construção da realidade”, os fotógrafos modernistas desconstroem e dão novos significados para o real.

Por volta da década de 1940 a fotografia deixa de procurar registrar fielmente a realidade, movimento que ocorre aproximadamente ao mesmo tempo que a formação dos fotoclubes. O pioneiro foi o Foto Cine Clube Bandeirante fundado em 1939 , por um grupo de fotógrafos e pesquisadores de fotografia. Os Fotoclubes possibilitaram – através de salões, catálogos, concursos – conhecer o que se produziam outros centros urbanos pelo mundo e eram compostos de fotógrafos amadores que não tinham compromisso comercial o que possibilitou e experimentar e ousar. É com eles que a fotografia entra nas galerias pela primeira vez

Passeando pela mostra percebemos que faz parte dos experimentos do modernismo a exploração de rítmico, textura, formas, geometrias, volumes, abstracionismos. Uma busca pela expressão estética, na forma a construção do conteúdo.

Momento ápice da exposição que define bem o jogo de realidade/abstração da Fotografia Modernista: um pai e um filho andando pelo espaço e observando as imagens, eles param diante da Ritmo do Paulo Pires

– Olha! Isso é a praia! – Fala o filho.

– Não, isso são telhas – Tenta explicar o pai.

Achei o máximo porque o filho conseguiu enxergar a desconstrução feita pelo artista, assim como sua composição rítmica e elemento gráfico que pareciam ondas do mar, enquanto o pai só via a realidade das telhas de eternit

 

Aqui tem um PDF os thumbs das fotos da mostra e aqui um video de uma entrevista do German Lorca

 

 

Exposição Moderna Para Sempre

Paralelas e Diagonais, c. 1950, de
José Yalenti

 

Exposição Moderna Para Sempre

Homem Guarda-Chuva, 1954,
de German Lorca

 

Exposição Moderna Para Sempre

Fotoforma, Pampulha, BH,1951,
de Geraldo de Barros

 

Exposição Moderna Para Sempre

Construtores, de Paulo Pires

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